O uso dos aromas através da história

A história da aromaterapia poderia começar em tempos mais recentes, quando ela realmente começou a ser chamada por esse nome. Mas, se voltarmos no tempo, veremos que o uso de substâncias aromáticas com propriedades curativas e de bem-estar é tão antigo quanto a história do fogo. Isso mesmo, pois desde que o homem começou a se relacionar com o fogo das queimadas naturais e, depois, produzir o próprio fogo, ele passou a observar como a fumaça que saía da queima de certas plantas produzia um aroma interessante e diferenciado. Essa é, inclusive, a origem do termo perfume que vem de “per fumum” que significa “pela fumaça”.

Das experimentações que nossos ancestrais fizeram com as plantas aromáticas, temos os primeiros registros na cultura egípcia. Os egípcios utilizavam plantas, flores e resinas aromáticas para fazer unguentos, emplastros, óleos perfumados e incensos. Em diversas imagens de pirâmides e templos é possível observar representações de queimas de incensos e uso de perfumes sólidos pelos egípcios. Os incensos eram queimados nos templos em oferendas aos deuses, já os emplastros e unguentos eram usados para tratamento e cura de doenças ou mumificar os mortos; enquanto os óleos e resinas aromáticas eram usados para perfumar o corpo, cuidar da beleza e até mesmo para maquiagem. Seu uso mesclava sempre aspectos religiosos, médicos e estéticos, de forma conjunta.

Essa tradição de união entre os fins de cuidado com o corpo, cura de doenças e honra aos deuses também esteve presente na Grécia e na Índia. Os gregos utilizavam os aromas em seus templos, em seus estudos médicos e em suas famosas casas de banho. Os indianos conservaram o uso das plantas aromáticas desde a sua antiguidade, de que se tem registro nos livros sagrados dos Vedas, até os dias atuais. Embora não haja registros sistematizados a respeito, os árabes também fazem um uso bastante antigo dos aromas em sua cultura e são os principais responsáveis pela evolução dos estudos que são a base da aromaterapia moderna.

Após a queda das religiões politeístas e o avanço do cristianismo, as escrituras sagradas da bíblia também trouxeram relatos acerca do uso de diversos óleos aromáticos. No entanto, o uso das ervas para fins curativos foi aos poucos sendo abandonado. Durante a Idade Média, acreditava-se que apenas o clero e Deus deveriam ser capazes de curar e apenas os incensos foram mantidos na tradição religiosa. Os camponeses – principalmente as mulheres, que foram passando de geração para geração o uso curativo e medicinal das ervas – eram caçadas como bruxas e os registros a respeito de seus estudos eram queimados. O ocidente regrediu quase totalmente no entendimento acerca dos conhecimentos fitoterápicos. Felizmente, o mesmo não aconteceu no oriente, cujos estudos alquímicos se desenvolveram aperfeiçoando as metodologias de extração e manipulação de materiais incluindo resinas, plantas, dentre outros.

Foi no oriente que o filósofo Avicena aperfeiçoou o modelo da destilação e a extração de óleos essenciais se tornou possível. Aos poucos, os estudos alquímicos foram se espalhando, a ciência foi se desenvolvendo e a medicina surgiu aliada aos saberes populares utilizando óleos essenciais, macerados e tinturas para promover a cura. No entanto, com o avanço da ciência e da medicina houve um interesse em que essas disciplinas se afastassem dos conhecimentos e crendices populares. Passou-se a isolar em laboratório os compostos químicos produzidos pelas plantas, que posteriormente foram sendo sintetizados. As plantas já não eram necessárias, pois fabricavam compostos idênticos às suas moléculas isoladas e a partir delas eram fabricados os remédios.

Foi apenas em 1920 que o uso de óleos essenciais voltou a ganhar força pelos estudos de René-Maurice Gattefossé. Este químico francês fazia destilação de plantas e estudos sobre seus óleos essenciais, quando em um acidente queimou o braço gravemente. Após desenvolver uma gangrena bacteriana grave no braço e ser desenganado pelos médicos que queriam realizar uma amputação, Gattefossé começou a aplicar óleo essencial de lavanda na queimadura e assim conseguiu regredir a contaminação e cicatrizar a ferida. Em 1937 ele lançou o livro Aromathérapie – Les Huiles Essentielles, Hormones Végétales, (Aromaterapia – Os Óleos Essenciais, Hormônios Vegetais). Dessa forma, inaugura oficialmente o termo “aromaterapia”, sendo nomeado o pai da aromaterapia moderna. A partir de então a aromaterapia passou a resgatar o uso dos óleos essenciais e expandir o desenvolvimento de pesquisas sobre os mesmos, aliando-se às ciências como química, biologia, medicina e mesmo psicologia. A busca por alternativas naturais de cuidado e bem-estar também tem popularizado o uso dos óleos essenciais nos cuidados clínicos, psicoemocionais e também estéticos. A aromaterapia ainda tem muito para crescer, mas o que já se tornou consenso é o quanto os aromas são parte da história humana, contribuindo para o nosso desenvolvimento em diversos sentidos.

Para saber mais curiosidades como essa, fique de olho no nosso blog e também no nosso perfil Aromaterapia no Instagram!

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